sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sermão Sobre Oração

Nestes sermões, Santo António fala da oração como de uma relação de amor, que estimula o homem a dialogar docilmente com o Senhor, criando uma alegria inefável, que suavemente envolve a alma em oração. O santo recorda-nos que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio que não coincide com o desapego de rumor externo, mas é experiência interior, que tem por finalidade remover as distracções causadas pelas preocupações da alma, criando o silencio na própria alma.
´´Deste ensinamento de Santo António sobre a oração captamos uma das características específicas da teologia franciscana, da qual ele foi o iniciador, isto é, o papel atribuído ao amor divino, e que é também a fonte do qual brota uma consciência espiritual e de qualquer conhecimento. De facto, amando conhecemos`` (Bento XVI).
Só uma alma que reza pode realizar progressos na vida espiritual; é este objeto privilegiado da pregação de Santo António. Ele conhece bem os defeitos de natureza humana, a nossa tendência a cair no pecado e, portanto, exorta a continuar a combater a inclinação da avidez, do orgulho, da impureza, e a praticar as virtudes da pobreza e da generosidade, da humildade e da obediência, da castidade e da pureza. Por este motivo, o Santo convidou várias vezes os fiéis a pensar na verdadeira riqueza, a da Cruz, que tornando bons e misericordiosos, faz acumular tesouros para o Céu.
Santo António, na escola de Francisco, coloca sempre Cristo no centro da vida e do pensamento, da ação e da pregação. Esta é outra característica típica da teologia franciscana: o cristocentrismo. Ela contempla benevolamente, e convida a contemplar, os mistérios da humanidade do Senhor, o homem Jesus, de modo particular, o mistério da Natividade, Deus que se fez Menino, se entregou nas nossas mãos: um mistério que suscita sentimentos de amor e de gratidão para com a bondade divina.
´´Por outro lado a Natividade, ponto central de amor de Cristo pela humanidade, mas também a visão do crucifixo inspira em Santo António pensamentos de reconhecimento para com Deus e de estima pela dignidade da pessoa humana, de modo que todos, crentes ou não crentes, possam encontrar no crucificado e na sua imagem um significado que enriquece a vida``( Bento XVI).
Meditando estas palavras, podemos compreender melhor a importância da imagem do crucifixo para a nossa cultura, para o nosso humanismo nascido da fé em Cristo. Precisamente olhando para o crucifixo
Vemos, como diz Santo António, como é grande a dignidade humana que aparece no espelho do crucifixo, e olhar em sua direção é sempre fonte do reconhecimento da dignidade humana.
Fr. Osório Ximenes

terça-feira, 17 de maio de 2011

A escola de amor; do "Eros" ao "Ágape"


Um dos aspectos mais marcantes na vida dos jovens é a sede de amor. O amor mais humano e comum parte duma relação entre um homem e uma mulher que é sustentada pela liberdade. É um encontro e uma doação gratuita, a partir do interior, originada por um impulso natural em ordem a um caminho de crescimento mútuo. Diz claramente Leonardo Boff: «todo o varão cresce e amadurece sob o olhar da mulher e toda mulher desabrocha para a sua identidade adulta sob o olhar do varão».
O amor afectivo entre homem e mulher “eros” exige um permanente amadurecimento para se darem um ao outro. Amar não é apoderar-se do outro, mas sim, dar-se ao outro para se completarem. Esse amor tem um valor deveras sublime, que significa dar-se ao cuidado do outro e pelo outro. Por ele está disposto ao sacrifício. Este chama-se “amor ágape”.

O amor convida-nos a ver o outro sem procurar possuí-lo. Gostamos muito dele sem pretender ser seu dono. É dificil atingir esta liberdade de coração sem ser presa da cultura de mercado, em que tudo existe para ser adquirido e usado, mesmo as pessoas. Temos que aprender a ver o outro correctamente, com olhos que não devorem nem os outros nem o mundo. S. Tomás escreveu «ubi amor, ibi oculos».
No mundo dos jovens de hoje brinca-se com a expressão: “Love is blind”. Pelo contrário, o amor não é cego: tem a sua maneira de ver, os seus olhos próprios, segundo o velho adágio latino: “ubi amor, ibi oculus”. Sabe observar e ver, não com olhar possessivo e de captação, mas com um olhar de doação, livre e gratuito, a condição para se poder viver em transparência comunitária, superando suspeitas destruidoras. (John Powel)

Khalil Gibran no seu livro «O profeta», o personagem Almitra pediu: «fala-nos de amor».
O profeta ergueu a cabeça para a multidão em silêncio. Depois, com voz forte e firme, exclamou:
«Quando o amor vos fizer sinal, segui-o, ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos, ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. E quando vos falar, acreditai nele, apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhos como vento norte ao sacudir o jardim».
Porque, assim como o vosso amor vos engrandeceu, também deveis crucificar-vos. E, como se elevam à vossa altura e acariciam os ramos mais frágeis que tremem ao sol, também irá até às raízes. Sacudindo o seu apego à terra como braçados de trigo, ele vos leva, malha-vos até ficardes nus. Passa-vos pelo crivo para vos livrar do joio. Mói-vos até ao branco mais puro. Amassa-vos até ficardes maleáveis e prontos para o seu fogo.
Tudo isso vos fará o amor. O único caminho para o conhecimento da vida. O amor alimenta-se a si próprio, o amor não possa nem quer ser possuído, porque o amor basta ao amor.
Todos nós temos sede de amar e sermos amados. Somos gente apaixonada. Matar toda a paixão seria atrofiar e secar a nossa humanidade. Não somos anjos nem bestas, mas sim, homem de carne e osso. Por isso mesmo é normal sentirmo-nos apaixonados. Apaixonar-se é «para muitas pessoas a experiência mais reveladora e extraordinária das suas vidas, em que o centro de significação é de repente arrancado de si mesmo, e o ego adormecido é abalado, deslocado, para a consciência de uma realidade inteiramente outra»

Quando Thomas Merton, um cisterciense americano, se encontrava no auge da sua fama como escritor espiritual, apaixonou-se desesperadamente por uma enfermeira que o tinha tratado no hospital. Escreveu no seu diário que estava «atormentado pela consciência crescente de que estávamos apaixonados e eu não sabia como poderia viver sem ela»

Essa experiência foi vivida pela Marta. Na família de António e Maria, o Senhor concedeu-lhes uma única filha, a Marta. Ela é considerada uma rapariga bonita, inteligente, cheio de bondade e amabilidade, cheia de misericórdia para com os que sofrem ao seu lado.
Ela iniciou a sua grande aventura no processo de sair do seu mundo de analfabetismo com grande sucesso. Aí, deu-se a conhecer com Marco, um rapaz, amável e muito simpático. Ambos estudaram no mesmo tecto; Saint Mary School. Quando chegou o momento de puberdade, ambos se sentiram apaixonados uns pelo outro. Por fim, Marco desabafou o seu sentimento mais profundo à sua amiga:«sinto-me apaixonado por ti! Amo-te tanto, desejo-te muito e não posso viver sem ti! Também eu!Retorquiu Marta. Assim, ambos envolveram-se num mar de paixões».

Viveram este tempo de namoro com grandes dificuldades, incluindo o desentendimento, as turbulências e as crises da vida, mas, ambos se mantiveram firmes nas suas promessas.
Passou algum tempo, Marco pediu-lhe para se casarem. Ela aceitou o pedido. Os pais aceitaram os pedidos dos filhos. Assim, ambos deram mais um passo na busca de conhecimento um do outro. Apesar de ambos estarem comprometidos, sentiam que o caminho a percorrer para uma verdadeira maturidade ainda é longo e ambos estão na fase final do ano lectivo.
Com o decorrer do tempo, chegou o momento certo para se decidirem pelo casamento. Ambos foram graduados e ostentam, felizes, os diplomas nas suas mãos. Com profunda alegria, Marco disse:Terminei o meu curso e vou casar com a minha querida Marta. Eu amo-a tanto!» Todos os amigos os felicitaram: «Parabéns, sejam felizes! Que a vossa família seja mais feliz do mundo».
Perante todo este barulho, Marta sentiu-se apreensiva e uma coisa estranha irradiava no seu coração. Ficou infeliz com a festa da graduação, refugiou-se dos seus amigos e recolheu a um lugar solitário para reflectir. Neste discernimento, sentiu uma voz a chamar pelo seu nome: «Vem e segue-me!”. Ela ficou sem entender nada. Senhor, tu chamas-me? Não, eu não sou digna disso! Ficou passiva e procurou fugir deste chamamento. Mas, quando mais ela rejeitava mais forte essa inquietação lhe gritava no fundo do coração.
Chegou a casa todo feliz e bem disposta. Tinha os olhos lúcidos como se tivesse algo para comunicar lá do muito profundo de si. Sentou-se, fitou primeiro o rosto da mãe, depois o do pai e, finalmente, disse: “Vou ser uma freira! Quero quebrar o laço do mundo que me prende”. Naquele momento parecia sentir o tecto desabar sobre si. O pai ralhou com ela, a mãe zangou-se com o pai, enfim, uma discussão forte entre todos…

A mãe ficou pasmada e disse-lhe: «Nem penses, filha. És noiva, sabes que o Marco te ama. Ele tem muita riqueza para te fazer feliz”. Marta só meditava no seu coração sem dar qualquer resposta à sua mãe.
Ficou preocupada. Já ninguém gosta mais dela: os pais, os amigos. E ninguém podia dar-lhe uma mão para a ajudar a solucionar esse problema. Os amigos consideraram-na uma louca, pois a questão religiosa é um escândalo para eles.
Dia após dia, Marta sentiu-se cada vez mais solitária. Nessa solidão e silêncio, encontrou uma solução: «Vou pedir conselho ao meu pároco». No dia seguinte, pôr-se a caminho da Paróquia, e aí foi atendida.
Diante do pároco, desabafou abertamente o seu desejo de dar um rumo certo à sua vida; «Eu queria seguir a minha estrela, aquela que me chama: “vem e segue-me!”. Mas não sei como posso começar dar o primeiro passo. No princípio, acho uma coisa estranha e tentei para fugir. Mas essa voz persegue-me por onde quer que eu vá. Penso que não sou digna dessa vida! Tentei falar com os meus pais, mas eles ignoraram o meu pedido. Os meus amigos disseram que sou uma louca».
O pároco ouviu e ponderou a atitude daquela jovem e prometeu-lhe: «Hei-de ajudar-te, na medida do possível, a alcançares o teu objectivo». Deu-lhe os seus conselhos e algumas informações úteis sobre a vida religiosa. Certo dia, conduziu-lhe ao convento das irmãs, e aí foi admitida. Uma nova etapa para a sua vida!..

Na véspera, da sua partida para convento, pegou numa folha branca e começou a escrever uma carta para Marco: «Querido Marco, antes de mais nada, eu peço-te desculpa por ter rejeitado o nosso casamento. Obrigada pela tua companhia ao longo do meu crescimento pessoal. É verdade que, através de ti, eu aprendi a amar e tu me ensinaste como é amar uma pessoa, sem ser dono de ninguém.
Neste momento, eu estou verdadeiramente apaixonada por outra pessoa. Tenho a certeza de que Ele me ama e me chama já desde o tempo em que eu ainda estava no seio da minha mãe. Ele chama-seJESUS CRISTO. Peço imensa desculpa se tu não fores aceitar esse desafio. Eu tenho de ir. Vou, mas não é para sempre. Um dia, mais tarde, eu voltarei. Não voltarei para ti ou para ninguém, mas voltarei para todos, porque o meu amor não é inclusivo, é incondicional. Nunca me esquecerei de rezar por ti. Tu hás-de encontrar uma pessoa certa para te acompanhar ao longo da tua vida, uma pessoa mais bonita do que eu. Eu sei que tu me amas. E também te amo, mas o amor de CRISTO por mim é mais forte do que possas imaginar».

Desta forma, Marta seguiu o seu caminho. Toda a casa ficou desarrumada. Os pais negaram-na, dizendo: Tu não és a nossa filha! Sem o acompanhamento dos pais dela, mesmo assim foi sozinha para o convento. Apesar de os pais a negarem, ela continuou feliz, radiante de alegria, uma alegria que ninguém pode imaginar.
Numa linda manhã, a caixa do correio recebeu uma carta para Marco. Ele tomou-a na mão, e, com uma imensa alegria, deu um beijo a esta carta antes de a abrir. Depois, abriu-a e leu. Neste instante, ficou frustrado, e profundamente desanimado: «Traidora... traidora... traidora é tudo o que consegue dizer». As lágrimas e a fúria tomam posse da sua face.
À noite, antes de dormir, Marco gravou no seu diário: «De hoje em diante, o meu maior inimigo éJESUS CRISTO por me ter roubado uma pessoa que eu amo tanto na minha vida». Para ele, perder a amada criava-lhe muita dor. Não conseguia viver sem ela neste mundo. Como diz Otelo, face à perda da sua amada Desdémona: «Nela eu tinha refugiado o meu coração, nela tenho que viver ou não ter vida, ela é a fonte de onde brota a minha corrente, porque senão seco». Assim é o sabor do amor. Amor torna-nos felizes mas também nos causa dor e sofrimento, se não for a verdadeira escolha da vida.
Todos os dias Marco chorava por ela. Fez todos os esforços para a tirar do convento, mas não conseguiu tirá-la da mão do Senhor.
Todas as coisas são amargas para ele. O amor quando é desamado dói. O tédio, o desânimo e a fúria acompanharam-no muito tempo, ao longo desta crise de amor.
Com o de correr do tempo, esforçou-se por esquecer este drama da sua vida, e jurou que não cairia mais nestas histórias de amor.
Talvez o Senhor permitia que nós encontremos e amemos uma pessoa incerta antes de encontrarmos a pessoa certa para companhia da nossa vida. O que é importante é sempre sabermos agradecer a dádiva de Deus.

Passaram alguns anos. Num certo domingo, Marco foi à missa. Sentado no banco lá no fundo da igreja, fixou o seu olhar no crucifixo que estava atrás do altar. O seu coração estava inquieto, pois, estava muito irritado com Cristo. De repente, sentiu uma luz forte irradiar diante dele. Caiu por terra. Alguns segundos depois, apareceu uma mulher bonitíssima com um vestido branquíssimo. Acolheu-o com o seu amor maternal: «Marco, porque é que tu não deixas a tua amiga seguir o meu filho? Ele foi crucificado nesta cruz por causa de ti, e tu não tens pena dele? O meu filho tem maior amor por ela que tu. Ele entregou-se por ti, por ela, e por todos. «Ninguém maior amor do que o que dá a vida pelos seus amigos».

O amor em nós culminará no despojamento daqueles que amamos, devemos deixà-los partir, devemos deixá-los ser o que são; darmos-lhes a liberdade de construírem as suas próprias vidas.
Marco reconheceu diante do crucificado a sua culpa, e chorou amargamente por não ter deixado a sua amiga livre para escolher o seu caminho: «Jesus, filho de David tem misericórdia de mim». Doravante, ele percebeu que é isto que se chama VOCAÇÂO. A vocação é um chamamento de Deus que se sente de várias maneiras. “…Pois é Deus quem realiza em nós o querer e o fazer” (fil.2,13). Em todas as histórias da vocação, a iniciativa é sempre de Deus. Mesmo que a percepção não seja inicialmente clara, a mão de Deus permanece sempre estendida sobre a pessoa eleita e predilecta. Se é Deus que olha para o homem, apaixonando-se dele, e o torna inquieto, como diz Santo Agostinho, o homem, na sua inquietude, e numa atitude de resposta, não deve cessar de elevar as suas aspirações até Deus. Consequentemente, como num diálogo amoroso, os dois desejos, se forem verdadeiros, fundem-se num só. A pessoa, quando é conduzida a entrar no mais profundo de si mesmo, pode descobrir que a sua vontade e a de Deus se fundem num só querer e num só agir.
O chamamento, que é “divinamente humano”, parte precisamente do contexto da história de cada um. O importante é que cada chamado/a se predisponha a escutar os seus desejos e aspirações numa atitude profunda de relação com Deus, para que, purificados os seus desejos e aspirações, possa acolher, assumir e viver a vocação como desafio a uma vida “humanamente divina”.
No entanto, o chamamento de Deus ouve-se através de uma voz muito baixinha onde só se ouvem os interlocutores, isto é, entre Deus e a pessoa escolhida; «A verdadeira voz do amor é uma voz muito suave, que me fala dos pontos mais recônditos do meu ser. Não uma voz ruidosa, que se imponha e ejixa atenção. É a voz do Pai... É uma voz que só pode ser escutada por aqueles ou aquelas que se deixam tocar.» (Henri Nouwen)

Por fim, Marco regressou a casa com uma profunda alegria e comoção, por ter participado no processo de crescimento da sua amiga, quer na parte física ou psicológica, até que ela encontrou a sua verdadeira felicidade.
Alguns anos passados, Marta fez a sua profissão religiosa, a sua entrega definitiva ao serviço de Deus. Será o primeiro encontro com os pais depois de ter escolhido esta vida. Aí, estavam os pais e Marco. Com uma enorme alegria que ninguém possa imaginar, ela fez uma pequena história sobre a sua caminhada, antes e depois de encontrar e entrar nesta vida religiosa: «quando era adolescente, não sabia nada sobre a vocação. Portanto, vivi uma vida intensamente mundana e perdi tanto tempo com as coisas passageiras. Graças à sua misericórdia, hoje eu me encontro no meu verdadeiro caminho, o que me faz feliz para sempre. Muito obrigado aos meus pais e aos amigos que partilharam a vida comigo ao longo do meu de crescimento como jovem».
É este o seu último encontro com os pais. Marta foi depois para a terra de missão. Aí, deu a sua vida para a vida de muitas pessoas, construiu casa para acolher as crianças órfãs, para os doentes... Viveu feliz até à vinda da irmã morte.
Com efeito, uma vida de amor embora difícil, não é árida e sem gratificações. De facto é a única vida plena e feliz, pois é preenchida por preocupações tão profundas como a vida, tão amplas como o mundo e de alcance tão vasto como a eternidade.
Na nossa vida diária, agarramo-nos muitas vezes às pessoas porque pensamos que precisamos delas. A frase: “eu preciso de ti” é vista como uma experiencia de amor.

Algumas pessoas gostam que lhes digam: “não posso viver sem ti”. O verdadeiro amor não tem por base as minhas necessidades. O verdadeiro amor não é possessivo. O verdadeiro amor dá às outras pessoas liberdade para respirarem e para serem quem são. O apego aos outros e a dependência excessiva em relação a eles não é amor, segundo Albert Nolan. Pois, o amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O que teria acontecido a Marta se Marco não a deixasse escolher o seu caminho? Perguntava William Blake: «Pode chamar-se amor àquilo que bebe os outros como uma esponja bebe a água?» De facto, ela não seria feliz com Marco porque não era ele o seu verdadeiro amor. Ela teve uma coragem incrível no seu ideal. Para atingirmos uma meta é necessário lutar contra as marés. Temos que dizer “Sou dono do meu destino”. Com a libredade interior vamo-nos tornando pessoas livres na escolha, sem nos tornarmos aquilo que achamos que os outros querem que sejamos. E assim, quando as nossas acções são expressão de medo, a liberdade interior torna-nos facilmente prisioneiros das ilusões. Apesar de tudo ela sentiu uma excessiva dor e ternura. Mas conseguiu deixar-se ferir pela inteligência do amor, mas sangrar feliz pelo seu ideal. Ela permaneceu fiel porque este é o único caminho do amor.

O amor significa ter consideração, aceitação e interesse pelas pessoas a quem amo. É uma auto-entrega.
Por isso, amor é uma coisa que se constrói ao longo da nossa vida, é uma escola de vida.
Termino com as palavras de Michel Qouist: «aprender a amar, não é fazer muitas experiencias; é respeitares-te e respeitares todos os outros, para seres capaz de respeitar profundamente o corpo e a pessoa de um outro; é conquistares-te para te poderes dar a um outro, é esqueceres-te para não te apoderares de um outro, mas sim, ofereceres-te; é abrires-te aos outros, aceitares os outros, compreenderes os outros, permutares com os outros, para poderes acolher um outro»

Bibliografia
  1. Gibran Khalil, o profeta, ed. Alma azul.
  2. Powel John, porque tenho medo de amar? Ed. Paulinas.
  3. Nolan Albert, Jesus hoje, uma espiritualidade de liberdade radical, Ed. Paulinas.
  4. Texto de Pe. José Negri, os olhos no amanhã; o que eu quero ser na vida. Foi adaptado pelo Frajuvoc de Leiria.
  5. Texto de Timothy Radclife, Mestres Geral dos Dominicanos, a promessa de vida; a vida afectiva.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O milagre da Páscoa


Após a hora terrível do Calvário, tudo parecia irremediavelmente perdido:
O mundo assustou-se, ficou triste e perdeu a esperança,
A humanidade ficou orfão nas mãos de Maria,
As trevas cobriram a superfície da terra,
O Senhor descansou no silêncio do sepulcro.

A luz radiosa do sepulcro, aberto para a vida,
inundou aquele primeiro dia da semana.
É o milagre daquela madrugada de Páscoa,
Quando as santas mulheres ouviram do Anjo o anúncio da feliz notícia: “Por que motivo procurais entre os mortos Aquele que vive? Não está aqui. Ressuscitou!”

A vida não teria sentido,
se Cristo ficasse suspenso no madeiro da Cruz do Calvário.
A vida não teria sentido,
se Cristo ficasse envolvido pelas ligaduras e no silêncio do sepulcro.
Mas, todas as vidas doravante têm um novo sentido com o milagre daquela manhã:
Não temais. Ide avisar os Meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me hão-de ver!”
A alegria invade a terra e os céus, porque o Senhor se ergueu vitorioso do túmulo e retomou a vida.

Assim, no silêncio da aurora de Páscoa
Deus revela o seu mistério de alegria:
Cristo venceu a morte,
Cristo derrotou o absurdo,
Cristo subjugou a angústia,
Cristo triunfou do pessimismo e dominou sobre todas as dominações.

A Ressurreição de Cristo dá estatuto de livre condição aos cativeiros;
Porqe Ele é o libertador que rompe as cadeias e algemas da escravidão.
A Ressurreição de Cristo transforma o homem velho do pecado em vida nova de graça;
Porque Ele é o único Salvador e Redentor da humanidade.
A Ressurreição de Cristo é a luz que ilumina toda a nossa existência;
É a verdade que dá sentido último e definitivo a todas as realidades humanas e à criação inteira.

Cristo ressuscitado projectou em todos os tempos a luz e a vida, o caminho da eternidade.
O oceano imenso da glória de Deus difundiu-se pelo universo,
A vida do Ressuscitado penetrou nos corações dos homens.
Apesar de os homens terem um coração de pedra, endurecidos pelo egoísmo,
o Senhor os transforma num coração de carne, irrigado pelo amor divino.
Cristo Ressuscitado abriu-nos uma porta para a vida futura.
Deixou enraizada no coração humano a certeza do absoluto.

É este o milagre da Páscoa:
“O Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!”
Ele nos convida a partimos para a Galileia. Lá O veremos!
Vamos percorrer os caminhos da vida a transmitir esta mensagem:
Ressurexit, et adhuc tecum sum, alleuia!
Que quer dizer: Ressuscitei e estou convosco para sempre, Aleluia!

Afmend OFM
Adaptação, in Obras Escolhidas de D. António Ribeiro

domingo, 13 de março de 2011

Quaresma: tempo de peregrinação interior

Uma das épocas singulares no tempo litúrgico da igreja católica é a Quaresma. É um tempo de preparação para a celebração da Páscoa do Senhor. É um convite ao arrependimento e à conversão.

Quaresma é “o caminho que leva ao lugar do coração”. Todos os caminhos nos conduzem a uma meta...neste tempo Santo, o nosso olhar fixa-se no caminho para o Calvário. É aí que queremos chegar. Por isso, ‘colocarmo-nos a caminho’ e ‘predispormo-nos’ para escutar atentamente a voz interior da nossa consciência e desfrutar a Palavra do Senhor que nos conduz ao longo deste tempo litúrgico.


“A Quaresma é o tempo privilegiado da peregrinação interior até Àquele que é a fonte da misericórdia. Nesta peregrinação, ele próprio nos acompanha através do deserto da nossa pobreza, amparando-nos no caminho que leva à alegria intensa da Páscoa” (João Paulo II, mensagem para a Quaresma 2004)


A Quaresma é um tempo no qual somos convidados a parar; para revermos com verdade a nossa maneira de ser, a esforçarmo-nos por descobrir qual é a vontade ou o projecto que Deus tem para cada um de nós.

Mais do que preocuparmo-nos em como fazer (simples atitude de repetir actos ou gestos que, muitas vezes, acabam por ser superficiais, sem nenhum tipo de compromisso pessoal), se calhar é importante perguntarmos pelo porquê do conjunto de «rituais» que adoptamos, ou em função do «cumprimento das normas», ou com a intenção da nossa permanente atitude de conversão.


O deserto que sua santidade João Paulo II menciona aqui; é entendido como lugar, espaço físico-geográfico em que o Homem é chamado a viver a dialéctica da felicidade e da desgraça, da verdade e da falsidade; e a procurar a harmonia que, no seu dia-a-dia, se vai consolidando, com a consciência de nem sempre realizar o que se propõe alcançar.


Os Quarenta dias da Quaresma que iremos saborear neste tempo litúrgico significam, por sua vez, a totalidade da nossa existência, a vida vivida inteiramente inserida no devir do tempo, plenamente absorvida pelos acontecimentos, progressos e recuos que constituem a história pessoal cada um.

Ao longo destes quarenta dias, a Igreja propõe de modo especial alguns gestos que cada um possa fazer como a atitude de conversão, tais como Jejum, Esmola e Oração.


O JEJUM

«O JEJUM» tem como finalidade o amor de Deus e o abandono ao Pai. O verdadeiro jejum transforma-se no puro acto de amar. O jejum é uma permanente atitude de alteridade, isto é, busca ininterrupta de diferentes formas de sair/ ir ao encontro, numa atitude de humilde e de reverência, não como quem se impõe aos demais, mas como quem serve.


O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo” (cf. Mc 12, 31). (Bento XVI, mensagem para a Quaresma 2011)


A ESMOLA

«DAR ESMOLA» significa, antes de mais, sair ao encontro de, entrar em relação com, escutar o outro para conhecê-lo bem...sem o conhecimento do outro, mais difícil se torna a partilha e, consequentemente, a entrada na comunhão.

A atitude de quem oferece/dá tem de ser radicalmente prudente, comedida, ponderada. Porque quem está disposto a «dar», precisa também de perceber se o outro está em condições de «receber» a oferta. Praticar a caridade não é um simples acto de «dar». A caridade é fruto do amor de Deus em nós e, por isso, deve ser saboreado/provado com gozo, simplicidade e humildade.


No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.” (Bento XVI, mensagem para a Quaresma 2011)


A ORAÇÃO

«A ORAÇÃO» brota da escuta da Palavra. Para que a nossa oração não seja palavreado, tem de se alimentar no silêncio. ‘como é bom sentir que Deus vem ao nosso encontro! ‘ Deixemos, então, que ele nos encontre nesta Quaresma.

A ORAÇÃO torna-se assim num movimento de encontro ascendente e descendente do Deus, dador da vida e da comunhão, com o homem, criado e chamado à comunhão com Ele. Rezar é também colocar-se na presença de Deus, numa atitude de confiança filial e de radical entrega nas mãos daquele que por nós tudo ofereceu; é estar a sós com Deus.


Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permite-nos também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas palavras não passarão»” (Bento XVI, mensagem para a Quaresma 2011)

Assim, estaremos capazes de viver uma Quaresma agradável aos olhos de Deus e favorável à «nossa realização», como filhos e filhas queridos por Deus.


Afmend ofm

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  1. Texto Quaresma: o caminho que leva ao lugar do coração, foi elaborado pelo Frajuvoc de Leiria
  2. Bento XVI, mensagem para a Quaresma 2011

sábado, 5 de março de 2011

O silêncio e a solidão

Saindo da Sinagoga, foram para casa de Simão e André, com Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram dela. Aproximando-se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. À noitinha, depois de sol-pôr, trouxeram-lhe todos os enfermos possessos, e a cidade inteira estava reunida junto à porta. Curou muitos enfermos atormentados por toda a espécie de males e expulsou muitos demónios; mas não deixava falar os demónios, porque sabiam que Ele era. De madrugada, ainda escuro, levantou-se e saiu; foi para um lugar solitário e ali pôs em oração. Simão e os que estavam com Ele seguiram-no. E, tendo-o encontrado, disseram-lhe:«todos te procuram.» Mas Ele respondeu-lhes: «vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim.» E foi por toda a Galileia, pregando nas Sinagogas deles e expulsando os demónios.(Mc 1, 32-39)

Este texto mostra-nos como a vida de Jesus era muito dinâmica e activa, sempre disponível para ajudar quem vinha ter com Ele. Porém, no meio de tanta actividade sabe-nos bem escutar a frase de madrugada, ainda escuro, levantou-se e saiu; foi para um lugar solitário e ali se pôs em oração.

É uma palavra repousante. Depois de muitas tarefas e de confraternização, Jesus tem um tempo para a solidão e para o silêncio.

No lugar deserto, Ele encontra a coragem para fazer a vontade de Deus, não a sua; para realizar as obras de Deus e não as suas. É no lugar deserto onde Jesus inicia a sua intimidade com Deus.

De algum modo sabemos que sem esse deserto, estamos perdidos; sem silêncio as palavras perdem sentido e os nossos gestos vazios.

Todos nós, em algum momento da vida, sonhamos realizar algo importante, sermos valorizados por quem vive à nossa volta, tentamos criar uma boa imagem, mas no fundo, sentimos um a grande insegurança. Vamo-nos tornando aquilo que achamos que os outros querem que sejamos. E assim, quando as nossas acções são expressão mais de medo que de liberdade interior, tornamo-nos facilmente prisioneiros das ilusões que nós mesmos criámos.

Jesus quer que sejamos pessoas com liberdade interior. É no deserto que essa liberdade se fortalece. Na solidão descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos mais que o resultado de nossos esforços, que procuramos fazer a vontade de Deus, dizer as palavras de Dele, amar como Ele ama. Deus-Pai é a nossa referência e não o mundo.

Um carpinteiro e seu aprendiz caminhavam juntos por uma grande floresta. Quando encontraram um belo carvalho, alto, imenso, nodoso e velho, o carpinteiro perguntou ao aprendiz:

- sabe por que é que esta árvore é tão alta, tão imensa, tão nodosa, tão velha e tão velha?

O aprendiz olhou para o patrão e respondeu:

- não por quê?

- Bem, disse o carpinteiro, porque ela é inútil. Se fosse útil, teria sido cortada há muito tempo e transformada em mesas e cadeiras, mas, por ser inútil, cresceu tão e tão bela que podemos nos sentar à sua sombra e descansar.

Como comunidade de fé, lembramos constantemente uns aos outros que formamos uma fraternidade dos fracos e de loucos aos olhos do mundo, mas compreensível para Aquele que nos fala nos lugares de desertos da nossa existência e nos diz: “tu és o meu filho muito amado”

O texto depois de dizer que Jesus orava na solidão, diz também, depois de seus discípulos o terem encontrado:« vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim

As palavras de Jesus que anunciava eram as de seu Pai. Mais tarde, sabemos que essas palavras o conduziram à morte. Porém, o Pai ressuscitou-o e deu-lhe a verdadeira vida. Talvez tivesse sido mais fácil para Jesus seguir corrente, agradar aos seus contemporâneos e evitar a humilhação e a tortura, Ele era livre de escolher e preferiu dar a vida, que vender a sua liberdade pela aceitação da multidão.

O mais importante não é o que as pessoas dizem de mim, dos meus fracassos... mas a vida que brota do diálogo com o Pai, que me aceita, me ama e me confia o seu reino.

Este texto convida-nos a viver a vida em plenitude, sem esquecer de nos levantarmos pela madrugada e nos dirigirmos para um lugar deserto para estar sós com Deus.

Afmend OFM

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Cf. NOUWEN, Henri J. M; o fruto da solidão, Edições Loyola, São Paulo. Brasil,2000

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Quo vadis, Afmend?

Introduction

The life is not a direct corridor and easy to cover which we can walk freely without limits but a labyrinth with different passages, through of which we have to seek our way; lost and confused, where sometimes finished by going to blind alley. But if we have faith, Lord always open to us a gate, perhaps not that one our selves had been planed, but a gate which by His essence will prove be good for us” (A.J. gronin)

The contemporary culture which lost the concept of person equally lost the maturity of person. Sometimes, I see my life as something vacuum without value, although this life is the best gift given by God. Therefore, I want to give a value to a little events happened that marked my daily life and the main thing I try to answer these questions; who am I? Where I came from? Why I am here and where am I going? So ever since, I try to give thank for this miracle before I will celebrate the silver party of my birth or twenty fifth anniversaries

For 25 years old, oh my God, I don’t like to grow old! How wonderful this life although every day I must face many challenges, neither good nor bad experiences: happiness-sadness, love-loveless ness, courage-discourage, successful-unsuccessful, brave-fear…etc! Yes, this life like rose, it is beautiful and scented but surrounded by thorns. Those experiences are the based of my future. So I just want to describe this gold personal history like relic because this year is “thanksgiving” for 25 years my existence in the world.

The first sheet: My personal history

In the history of life human being is an emigrant; the pilgrim “of being”. Where just from the past can take any light for future because histories of the past dispose a way: take into consideration that the past will bring the daylight from the experience of life had realized and that inevitable limits the map of experience in the future.

I. My genesis

Once upon a time, two cells gathered to create the only one being in the universe: Afonso Sarmento Mendonça. Those cells were not coming vacuum, but full of genetics information. Every one brought in him a history; history of my father and the other side history of my mother.

At the time when they were meeting, Lord inspired into them blowing of the life and an explosion of light happened. My body was growing include the genetics information of my parents were making combination and defining my body - the color of my eyes, hair and skin, my mind with his temperaments, aptitude, ability…etc! So my body was defining mainly body, mind and spirit.

For 9 months I was in the breast of my mother, with her maternal loving care: I am the only one for her. Thank God I was born safe and sound! In that time I was cry because I found a new surrounding while my parents were very happy, Lord gave to them a precious gift: a child. Ever since, I began my personal history.

II. My childhood

That child was named “Mau Kafir”, traditional name which means shepherd. So when I was a child, every day I did my job like shepherd the cows in the forest. In 20th of May 1986, fourth months later, I was baptized by Father Eduardo Brito: “Afonso Sarmento Mendonça, I baptize you, in the Name of the Father, of the Son and the Holy Spirit”. From then on I won a name; by then Seloi Craic became a place for my family atmosphere. There where the place I was born and lived as I growing up. I was starting my childhood there. It was very happy to enjoy my childhood because when I was a child I could find toys everywhere but sometimes I did not enjoy it because I always falling ill.

My illiterate world was break down in the Saint Paul Primary School. I began to enter into the world of civilization: reading and writing. I finished my primary school in that marvelous place.

For 3 years I was studying in Saint Mary Junior High School of Seloi. Here, I had been starting to study English and Portuguese, more over, I got the chance to correspondence with many friends from Fingal Community School, Ireland. Ever since, my desire boiled over to study. Finally, thank God I got the best result in 2003 National Exam for Junior High School level.

III. Seminary Ainaro to Minor Seminary Balide

In 22nd of September I entered the Seminary Ainaro. It was the first time for me to leave my family. I gave a new step to my life.

The first trimester was very difficult for me; timid, fear, shy…etc! There, I found many experiences of life neither good nor bad. With the help of the formatters I studied to be a good boy, learned to develop my aptitude; I found my self as a very sensible and responsible being. I tried obeying the rules of the college. Here I found my way; where I must give response day by day along my life towards His calling, because I realize that He really calls me by my name. Be worth it for 3 years I navigated in that amazing place.

For 3 years I was studying in Saint Mary School Ainaro. My teachers were very nice so do my classmates. My daily activities were studying, working and praying. «Ora et Labora». Day by day I slept-woke up with note book because “book is my first girlfriend”. Thank God for 3 years I always got good result although I was not a brilliant pupil or the best student. At the last, I finished my studying in that amazing place with the best value in 2006 National Examination (Exame nacional do ano lectivo de 2005/2006).

I passed the entering test to the Minor Seminary Balide, Dili, before we did national exam. In 23rd of September 2006 I entered the Seminary. At that moment, a seminarian have to fill in three triangles namely, sanctitas, sanitas, sciencia (sanctity, health, science). In the first trimester I was filling all kinds of tests. Like a seminarian I must study hard to get good result just not the value but also to live it, a good life-living result as Latin prose says “non scholae sed vitae discimus.

In second trimesters I had to leave it because my health was not so good; I fell ill. I just surfed there for six months. When I had left Seminary many people were mocking me by saying « you are cut out from being a seminarian, why did you go to seminary? You just embarrassed yourself? ». With tears running down from my eyes I said to them:” yes, I cut out from being a seminarian”.

Did I learn anything good along those chances? I did not understand anything but I got the best experiences in building up my life to become a better person.

For 6 months I just stayed at home, therefore, I almost cry every day when I saw my classmates were going to study in university.

I lived my life as a farmer; worked in the rice field, coffee field…etc! I always get involved in the political campaign because there were so many chances for dancing and meeting friends, it was a great entertaining.

I was bargained by NGO (Non Government Organization from Japan) to be translator although I could not speak English fluently. I was falling in a dichotomy of yes-no options; If would be translator then I have to leave my studying so I rejected that precious offer.

The second sheet: Experience of life

For several months ago, I wrote in my note-book:

I am the captain of my soul.

I am the captain of myself.

I am the captain of my future.

It is true but I can not do anything without interaction of “God and others”; my parents’ helping, my teacher, close friends, surroundings and cultures support my personal growth. The man is a social human being “homo homini socius” so by human relationship I trip from my selfish world and open the door of my world to others around me...I try it for 9 years since Seminary Ainaro till now

I. Convent Fatuberliu (three bothers)

I did not think that I would return to become a seminarian. One day as I went to attend the presidential election campaign my cousin asked me:“do you want to be Franciscan?” Immediately, without thinking too much, I answered: yes, I do! But I don’t know where their convent is? He leaded me to Franciscan convent. After getting all the information I had to prepare myself for the initiation test. It was very difficult, so some brothers of my batch did not pass, we were 17 persons.

In the 22nd of September 2007 I entered the Franciscan convent in Fatuberliu (a sub-district of Same located in south coast of East Timor). We had a three days retreat which was guided by Fr. Adrianus Nahal OFM, with the theme “who am I?”

On the 30th of September 2007 I was integrated into Franciscan Order as postulant. The opening ceremony was held in the chapel of the convent of “Three Companions”, Fatuberliu. In that ceremony we received a TAU (Franciscan cross), Bible and wore the postulant habit. My life was marked with this message: “Afonso, try to be a good postulant”.

We were always active in the Parish categorical groups such as scout, altar boy, Franciscans youth, etc.! During this one year period we organized some events which marked my personal experience very much in Fatuberliu. We celebrated youth day or memory of the 12 of November where many Timorese young people were massacred in the cemetery of Santa Cruz. We had the vigil and candle light and the day after we had football and volleyball competition with the students of Natarbora (SPP). We were always get involved in Christmas cup which organized by Parish priest as a way to gather parish youths.

We (Postulant and Franciscan youth) went for a concert in the Alas Parish; the postulants were very professional in touching guitar and drum band. In the later day, we played football and volleyball against young people from Alas; it was pity for us because we were defeated by them in both games with score for football 2-3 and Volleyball. On our way back, it was happened to us an amazing event; people of the villages though that we are “ninja” so they wanted to attack us with traditional guns named”rama ambon”.

We were very happy although sometimes we worked hard for all day until forget to take lunch; one day a brother gave a shout:”Oh my Lord, is it temptation or torture?

For a month we had to work really hard: painting wall, windows and doors… etc! Our daily activities were working in the construction of the new convent.

Finally, on the 3rd of October 2008, “servus pacis” was inaugurated by Bishop Alberto Ricardo. There was present Br. Ambrosio Nguyen Van Si as the General Definitor of the Order of Friar Minor for Asian-Oceania, Br. Vitor José Melícial Lopes, OFM, delegation of the General Minister for Saint Anthony Foundation of East Timor and Br. Paskalis Bruno Syukur, OFM, provincial minister of the province of St. Michael the Archangel, Indonesia.

II. My utopian dream

When I was studying in primary School, I did not think that some day I would be flying abroad. When I saw many people from my town had gone to study in Indonesia my dream was becoming like them.

Until one day, one of my cousins went to visit us before he would go to study in Australia. I was almost cry when my eyes glared at his face but my heart was tremble while a soft voice appeared from my mind asked to myself: when you go abroad like him, Afmend? Ever since, his presence was like a mirror for me. I was trying to study really hard, although I was not a brilliant student among my classmates. My desire was bigger than my aptitude; I wanted to fly across the sea, to know the other culture, people, geographic and gastronomy. Day by day I tried to study hard: English, Portuguese and Indonesia language.

In the course of time, my dream was not unreachable. Sometimes I said to myself: are you having a day dream or building a castle on the air, Afmend? Let bygone be bygone, it was just a dream but my wish was bigger; take it easy man. Don’t be disappointed because “where there a will there is a way”.

When I was in the Convent of Fatuberliu, suddenly, I heard good information: «5 brothers will go to study in Portugal» annunciated by Br. Adrianus Nahal, OFM, who was our postulant minister. We were 8 persons, appeared some anxieties among us: “who will be chosen?”

One day, I was called by Br. Guilherme da Costa Barros, OFM the president of the foundation of Saint Anthony of Lisbon’s community in East Timor. We spoke for several minutes where by then he gave me this precious opportunity although I did not know anything about Portugal. In the circumstance I was very happy; thank God for this chance! My dream become real, just as I make effort to make it comes true: to be happy.

III. Flied: Timor-Portugal

The time will be coming, don’t be sad! I have to go, but I will come back” I could not say anymore words when I glared to my parents’ face. My father answered: “you have to go…if it is impossible, this is your home”

Before we left our native land, with parents, relatives and closed friends we did the farewell ceremony in Becora. It was begun with the Eucharist which presided by Br. Guilherme da Costa Barros. Br. Vicente Kunrath and João Bosco were also present in that occasion. «You are the hope of your family, the hope of Franciscan in East Timor, the expectancy of the church and future of East Timor, so your mission is studying », Fr. Barros advised.

On the 29th of January at 10 am we got out from Santa Cruz on our direction to the airport, after we received Saint Francis’ blessings by the late Fr. Vicente Kunrath, OFM. It was a very sad day for all of us, we who are going and those are left behind.

The watch showed 3pm, when I saw Merpati air craft’s door was opened, with tears on the eyes just said “good bye” to my parents, brothers and sisters, several closed friends who were present there. In that circumstance I did not say anything, I could not speak with them, and the tears are my words. The airport was flooded with tears neither us nor them, that chance was hurtful for all of us.

When Merpati airplane (MZ 8498) flied from Timor Leste, perhaps anybody broke down. We arrived in Ngurah Rai Airport, Bali, Indonesia at 4 pm. We stayed overnight in Prani hotel; perhaps prestige with American dollar, just kidding…! We did not know anybody there. We had dinner in Discovery Bali before went to shopping.

The later day, we took a little bit of the spare time to walk around the city of Bali. It was wonderful day to take some picture in front of Discovery. After we checked in at 4 pm, the Thai airway (TG 432) was departing to Thailand; our arrival was at 8 pm.

From Thailand we headed of to Frankfurt (Germany) TG 0920 airplane. We did a very tiring adventure, till some friend said: “Timor is far away! My bottom can not support more”. For three hours we were just in Frankfurt airport. There we left to Lisbon by Lufthansa; finally, we arrived in Lisbon at 11 am.

IV. Leiria memory

The first time, we treaded in the Portuguese land, I was surprised when saw the new surroundings. I said to myself: will I be adaptable to the new environment?

There, we were picked up by Br. Moises OFM, Br. Pedro Santos OFM and 3 postulant brothers (Now temporary profession). We did our journey from Lisbon to Leiria, we were very timid, fear, afraid, Etc.! On the way appeared the first kidding of Br. Moises: “do you know where we go?” We were just smile, we could not speak anything. He continued:” we go to hell!”

For the first trimester, I was conscious that I would begin again so I tried to put everything in order. I had to face “culture shock” because everything was new for me; every day I had to ask…ask and ask! The winter was like enemy for me: almost I did not get out from bed, also I did not study. In the church I could not pray or gave attention to mass. It was the first time for us to fell the winter season.

Thank God, we had 3 nice brothers whom always helped us.

For a year and half, I was ministering in “Fraternidade juvenil vocacional de Leiria”. There, I got many experiences in building up my life.

Day by day were appeared to us so many nice people. Finally, my utopian dream in Timor was not true; «Portuguese people is disagreeable» on the contrary Portugal is a fantastic country and a marvelous people.

Along those chances, I had taken part in several activities which I found where marking my own history; those were the guns for my future.

  1. European Franciscan meeting

The first time for me took part into the second European Franciscan meeting (Euframe) in Santiago de Compostela, Spain. (Spain 9-15 of August 2009)

For 6 days, we followed step by step the way of Santiago “caminho de Santiago”: León – Astorga - Vega de Valcarce – Cebreiro – Samos – Monte del Gozo – Santiago de Compostela – Muxía.

Although it was summer time, we were very enthusiastic to follow the way of Saint Francis until Compostela. We had to climb the mountain; thirsty, hungry, tired, perspire… but we had spirit in the same way and destination: Franciscans charisma. We wanted to follow Jesus Christ like Francis of Assisi.

How wonderful was the catechesis of Cardinal Oscar A. Rodriquez Maradiaga. He said: «all of us really need three satellites in our life: bread of words - Gospel (El pan de la Palabra); bread of life - Eucharist (El pan de vida, la Santa Eucaristía); Virgin Mary - Mother of God (La estrella del mar, María Santíssima) ».

How nice was the homily from president of union of Friars Minors of Europe, Br. Victor Melícias, OFM. We have to be ourselves “universal Brotherhood “although we are different culture, race, color, social status, language or religion.

In the last was the message of Br. José Rodriguez Carvalho, OFM, the general minister of the Order of Friar Minor. He said: “Don’t be afraid to open the doors of your heart to Christ!” (No tengáis medo! abrid las puertas de vuestro corazón a Cristo) Then he advised: « Faite ver » (allowed your self to see).

All of us were invited to rebuild this world; annunciate the name of Christ, say to every body « Peace and Good – Pax et Bonum» and we have to be ourselves «Buen Camino Buena Gente - Good people good way ». We must to spread to the universe the values of the Gospel, especially giving our testimony about our Faith.

b. Taizé meeting

I was very happy moment when I attended the Taize meeting, realized in Porto on the 3-6 of February 2010 in Pavilion Dragão of the FC Porto. It was a fantastic event where participated by a crowd of young people came from everywhere. How wonderful the slogans”come find the sources of joy”; yes, all of us plunged into meditation, we made STOPS alias; silent, thank, open, pray and sing. For those event had many activities like: workshop, prayer, animation, visited some institution…Etc!

We were invited to share our daily life like young based on the letter of brother Alóis: «the letter for China»

c. Portuguese course (Minho university, Braga)

The language is a door where we can see the world, which draw the limits of our thinking and felling.

We were following the Portuguese course «curso de língua portuguesa não materna» for a month in the Minho University, Braga.

That course was fruitful of helping us to develop our Portuguese. We were very glad because all the teachers and classmates were very nice; they always prepared to help us when we had any difficulties. For those chances, we did field strip to: museum, castle…Etc. I hope that some day I will back to this alma mater.

d. The pilgrim: Franciscan Youth of Portugal to Assisi

On the 6th of August 2010, at 9 pm, 50 young people took the way on direction to Assisi. The journey was far away so all of us felt tired; our arrival was on Sunday 10 am. For 5 days we were in Assisi, there we experienced and followed step by step the vestiges of Saint Francis and Clare of Assisi: Portiuncula, Cárcere (Mount Subasio), Saint Damian church, Basilica of Saint Francis, Clare, Rufino…etc.

a. Portiuncula

Portiuncula is the amazing place for Franciscan, Saint Francis died here. Every day we can see lost of people in that sacred place, mainly in the “pardon of Assisi day”. The small chapel inside Portiuncula is Very beautiful where many people go to pray through the intercession of the Holy Mother Mary of the Angels.

b. Mount Alverna

The Sanctuary of Franciscan, here Saint Francis received the Stigma of Christ. The last day we took the way from Assisi to this fantastic sanctuary.

Both places are the best sanctuary for the Franciscan. I felt and experienced the taste of the Franciscan charisma, I very thankful because of this given chance to visit the holy land of Franciscan. Those were wonderful experiences for me before I entered into novitiate.

Conclusion

The famous Portuguese poet Fernando Pessoa said: God wishes, man dreams and born the fear. Human being is a dreamer; the megalomaniacs man always dream to transform the world: homo sapiens- create the fabulous culture of knowledge. Homo Faber- can transform the world full of wonder and pleasure. Those are the fruit of the human being dreams, the life without dream is sad.

Everybody has a dream. The question is “how” we can reach it? From my humble judgments these are the ways to find it.

The first: THINK- thinks about the values of life like.

The second: BELIEVE- believe in God and yourself and try to be an author of your personal history.

The third: DREAM- dream about the possible things based on your faith.

The fourth: BRAVE- brave to transform your dream into reality.

I ever had a dream when I was a child, although sometime my desire broke down but in the last my dream transformed into reality, just make an effort to reach my last step; to be happy.

To be happy is something which everybody wants to reach; if you want to become glad in the future ever since try to be an author of your personal history so I try to describe this precious history for my life.

«To be happy is recognizing that worthwhile live although all challenges, incomprehension and the period of crisis along the life. To be happy is leaving become victim of the problems and try to be an author of personal history» (Fernando Pessoa)

Prayer

Thank you oh Lord!

You created me by your image and similitude,

I am the only one and unrepeatable,

You deposited in my “being” all the human faculty:

Intelligent to understand,

Memory to retain,

Heart to ruminate

And ear to listen.

Thank you oh Lord!

How wonderful you created me;

I am a being:

Who capable to grow

To choose

To love and to be loved

I am sensible and responsible

I could happy or sad

Suffer or pain,

Those are my human nature.

Thank you oh Lord!

I count myself lucky for having a fantastic parent,

They cared for me since I was in my mother’s breast,

They always present in my quotidian life,

Daddy and mammy, thank you for everything,

Lord, I praise you for them.

Thank you oh Lord!

For the helping of my teachers, donators, close friends;

Who cross with me every day along my life

Who share with me the happiness and sadness, sufferings and pains

Who help me along my growing ways

They are the best gift given by you

By them I will be my own self.

Dear Lord,

I am an emigrant in the world; the pilgrim of being,

When I close myself for other, I am nothing;

Take me out from my selfish world,

Help me to open the door of my world to others around me,

Oh Lord, I grateful to you,

You make my life as a blank sheet

Where I have to fill in with my own personal history

The silver party of my birth day

Portugal, 22nd of January 2011

 
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